A FUNDAÇÃO

Intervenção da Dra. Maria Cavaco SIlva no lançamento da 1ª Pedra da Casa Ronald McDonald no Porto

No dia 3 de Junho de 2008, quando inaugurei em Lisboa, perto do Hospital D. Estefânia, a primeira Casa Ronald McDonald em Portugal, disse: “quero acreditar que esta casa construída pelo amor é apenas a primeira de um projecto que vai continuar”.

Nesse dia decidi que, se a nossa casa é o nosso castelo, para uma criança uma casa onde se sinta bem é o seu castelo encantado.

Hoje vamos pôr a caminho a construção de mais um castelo encantado!

O facto de estarmos todos aqui a lançar a primeira pedra para a segunda casa Ronald McDonald, agora no Porto, junto do Hospital de S. João, mostra-nos que acreditar com muita força é meio caminho andado para realizarmos os nossos sonhos.

Mas não chega.

Há pouco tempo, numa entrevista que a escritora e jornalista Patrícia Reis me fez para a Revista Portefólio, a propósito de uma afirmação de Teixeira de Pascoaes de que não existimos mais do que nos nossos sonhos, disse, convictamente, que temos de trabalhar muito para os concretizar, e assim cumprirmos o que a vida quer de nós.

O nosso povo sempre sentiu que sem esforço não vamos a lado nenhum: fia-te na Virgem e não corras, verás o trambolhão que dás.

Os meus avós usavam muito este provérbio para nos pôr todos, filhos e netos, a trabalhar para a conquista do pão nosso de cada dia. Tinham a experiência acumulada de tempos duros em que o supérfluo contava muito pouco.

Este sonho, nascido há quase 40 anos no coração de uns pais aflitos, é lindo, porque não morreu, porque se espalhou pelo mundo, porque conta com milhares de voluntários.

Estamos hoje na cidade do Porto, donde “houve nome Portugal”. Onde às vezes sentimos que o coração de Portugal bate ainda com mais força.

Portanto, mais uma vez tenho todas as razões para acreditar que é uma aposta ganha, mais uma pedra num caminho que ainda não sabemos onde nos vai levar.

Apenas sentimos que todos, e já somos muitos, queremos ser pedras vivas na construção de mais uma “casa longe de casa”.

Há alguns anos que me dedico a ir, no terreno, ao encontro de todos os que me pedem que esteja com eles nos momentos de dor, mas também que seja feliz com eles nos momentos das suas conquistas na luta contra essa dor.

E tenho aprendido tanto! Agradeço sentidamente a todos os que me têm dado essa oportunidade de partilhar as suas vidas, as suas derrotas e as suas vitórias.

A solidariedade, as mãos que estendemos aos que precisam de nós, têm sempre mais força quando na origem da nossa vontade de ajudar esteve um caso que nos mostrou concretamente naqueles que amamos, como a vida é vulnerável, como a vida é preciosa.

Também as Casas Ronald McDonald têm a sua origem numa linda história de amor.

É essa história de amor que estamos hoje aqui a continuar. E continuaremos, enquanto “houver crianças e famílias que precisem de ter uma casa longe de casa”, em momentos difíceis da sua vida.

Contem connosco, enquanto as nossas crianças, o nosso bem mais precioso, precisarem de um colo, de um afago, de um abrigo, nos momentos dolorosos das suas pequenas vidas.

Obrigada pela vossa presença, obrigada por aquilo que já fizeram. Obrigada pelo muito que ainda vão fazer.