FAMÍLIA MANGIA

Mãe Paula e Pai Nuno
Filho Francisco 

A Paula decidiu vir até Santa Maria de transportes com o pequeno Francisco. Há uma resiliência tão determinada nesta mulher, que quase que dá a impressão que foi ela que veio ao comando do metro. Quando chegou ainda cheirava a borracha queimada da travagem a fundo. A Paula não se atrapalha a falar da sua história, o sotaque brasileiro entorna o açúcar certo sobre a história do Francisco. “Há sempre uma história pior que a tua”, diz. A pena também não nos faz melhor. A força dela é uma inspiração para a nossa força. Vira o olhar para o filho que entra na Casa e diz: “Vê como “ele é lindinho”, mesmo com a máscara, só lhe falta colocar o croque e fica igual a um cirurgião charmoso.” A sua caminhada está longe do fim, mas quem vê esta família não lhe acrescenta problemas, há tanta graça neste trio e tanto desembaraço neste dar. O pai avança seguro, recolhe a máscara do Francisco, a mãe consente desconfiada e eu avanço na fotografia como se a sessão fosse apenas o samba de um dia normal.

Foto e texto by Isabel Saldanha