FAMÍLIA TEIXEIRA

Mãe Rosalina 
Filha Érica 

“A mãe tem que ser forte.” Perdi a conta do número de vezes que me repetiram esta frase. “Eu já nem queria saber de ser forte, só queria um diagnóstico, um tratamento qualquer, alguém que percebesse que a minha filha não estava bem.”
A Érica não teve azar, teve uma sorte gigante com o tamanho de mãe que tem.
Ninguém ganha à teimosia e persistência de uma mãe. O seu discurso é tão galopante como a energia que aplica a cada curva cotovelo desta vida. Agora já sorri de forma escancarada, diz que estar nesta Casa minimizou muita coisa. “Dava para tomar banho, cozinhar e partilhar dois dedos de conversa entre pessoas com histórias iguais.” Uma forma de ter um lar longe de casa. Apesar de ter apenas 4 anos, a Érica recorda alguns dos amigos que fez na Casa. E há um momento durante esta conversa que a pequenina quebra, agarra-se a um boneco gigante de peluche e faz uma expressão sentida. A mãe agacha-se e agarra-a. “Ainda é uma bomba relógio” afirma. “Mas adoro esta miúda minha.”

Foto e texto by Isabel Saldanha