FAMÍLIA VEMBA

Mãe Helena, 
Filhos Kiame e Zaia

Quando lhe peço que me fale um bocadinho da sua história diz-me: “Viver ou contar é muito diferente.” Os filhos correm à sua volta, enquanto fala.
“Bem dita Casa!” Repete. “Fizemos muitos amigos aqui.”
Desde que nasceu prematura em 2015 que circulam entre a Casa e o hospital. O regresso a Angola ainda é apenas uma miragem. A Zaia precisa de acompanhamento permanente até estabilizar. “Aqui há um ambiente que percebe a nossa angústia. Quem passa cá por Casa entende melhor, lá fora o mundo é diferente.” Helena pede um batom claro, é uma mulher discreta, habituada como está a centrar-se apenas no essencial. Tem apenas 35 anos, é viúva, mas o epicentro da sua vida são os dois filhos. O que a vida tira, a vida dá. “Há tempo que chegue para assumir as causas certas, no tempo certo.” Não tem como contrariar, enquanto a Zaia não estiver totalmente curada, a prioridade é ela.
Por agora é contar com o apoio da Casa e fazer da Casa o apoio. A Fundação inspirou-se na força da Zaia e deu a cara e o nome a uma boneca de pano que segura nas mãos , com a mesma graça infantil com que se segura um gelado, que derrete com o calor do amor mais bonito que há.  A mãe termina a conversa com um sorriso e repete, o que cada família sente: “Um dia de cada vez…”

Foto e texto by Isabel Saldanha